quinta-feira, 23 de junho de 2011











estudava eu na primeira ou na segunda séria do primeiro grau (hoje, fundamental) quando em uma tarde, a professora entrou anunciando que passaria um ditado para a sala.
sempre me dei bem nesse exercício e, despreocupadamente, tirei aquele papel quadradinho da bolsa e fiz o cabeçalho.
nessa tarde, o ditado era de vinte palavras, as quais dividi em quatro colunas de cinco linhas.
as palavras foram anunciadas repetidas vezes pela professora e os alunos, em silêncio, iam copiando em suas folhas.
fui o primeiros a acabar e entreguei confiante, para a surpresa da professora que acabava de ditar a ultima palavra da lição.
ah! esqueci de dizer que os ditados daquela megera tinha uma regra, dentre tantas: quem errasse uma palavra, teria de copiar cinquenta vezes da forma certa.
então...
eu já estava rabiscando uma linda rosa dos ventos na minha carteira verde-piscina quando ouvi ela dizer:
'augusto, já corrigi o seu ditado.' fui até a mesa dela para ver meu dez.
assustou-me aquele X em cima de uma das minhas palavras preferidas até hoje: muito.
ela também estava lá em vermelho à cima do meu 'muinto'.
eu estava certo de que aquela coisa entre minha garganta e meu nariz era um 'ene'.
'professora, a senhora tem certeza que esse 'muinto' tá errado?'
ela me olhou irônica e disse: 'tenho! vai copiar cinquenta vezes.'
ainda meio aturdido, voltei para a carteira e comecei o castigo. agora em cinco colunas de dez.
mas não parava de pensar no erro: 'muito. muito. palavra feia da porra!'
engraçado como toda a palavra repetida muitas vezes se tornam estranhas e sem sentido.
no meu caso, isso também se aplica à algumas pessoas...
acabei aquela merda e fui levar pra professora a segunda folha, enquanto alguns retardatários ainda faziam o ditado de vinte palavras.
foi eu entregar e dar as costas e ouvi ela dizer: 'que palhaçada é essa, augusto? você acha que eu tô aqui de brincadeira? pode escrever agora cento e cinquenta vezes! e enquanto não acabar, não sai da sala!'
puta que pariu! eu tinha escrito cinquenta vezes 'muinto' de novo. e sem errar!
foi foda! as lagrimas tamparam minha garganta e eu não tive como explicar pra professora que eu não tinha feito aquilo de propósito.
até hoje eu tenho certas funções que vão além do meu comando...
peguei a folha e comecei: 'muito muito muito muito muito...'
cheguei a apagar alguns 'enes' no começo.
fiz 'muito' cento e cinquenta vezes e perdi o recreio.
e mesmo assim, errei muito na minha vida depois disso...

7 comentários:

  1. abençoado seja os muintos erros.
    bjão
    juli

    ResponderExcluir
  2. que ótemo! e eu ri muintoooooooooo lendo esse texto. delicioso!
    PS: passei por um constrangimento assim, mas em matemática. até hoje não entendi porra nenhuma qual foi o meu erro. só sei que a sala toda disse que era uma coisa e só eu apontei pro resultado errado na lousa. até hoje acho que todo mundo errou. tinha algum sentido naquele resultado que ninguém viu! rsrsrs. tenho trauma de matemática até hoje. e fui 'castigada' trabalhando com números, mas não com matemática pura, com estatística (números COM SENTIDO) e acertando muinto! kkk. O problema está na matemática, oras! E tenho certeza: no seu caso, o problema está na língua portuguesa! rsrsrsrs

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Amei!!! vou ler pros meus alunos na Bem Comum!!!!

    ResponderExcluir

muito obrigado por comentar neste blog. só não esqueça que a trema caiu e que berinjela é com J! não leve a mal. estou avisando para que você não passe vergonha na frente dos outros comentaristas.